A brasileira Flávia Saraiva chegou muito perto de subir ao pódio no Mundial de Ginástica ArtísticaJacarta. Na final da trave, realizada em 20 de outubro de 2025, ela marcou 13,900 pontos — um desempenho limpo, elegante e cheio de nervos — e terminou em quarto lugar, perdendo o bronze por apenas 0,033 pontos. A notícia, divulgada pela CNN Brasil Esportes em 25 de outubro, gerou ondas de orgulho nas redes sociais brasileiras, onde ela é carinhosamente chamada de "Flavinha".
Quase medalha, mas com história
O que parecia um simples quarto lugar esconde uma história de superação. Flávia Saraiva, de 25 anos, é uma das poucas ginastas brasileiras a chegar a uma final individual em um Mundial de ginástica artística nos últimos 15 anos. Em 2023, ela havia sido a primeira mulher do Brasil a conquistar uma medalha em Mundiais desde 2007 — um bronze no solo. Agora, em Jacarta, ela voltou ao topo do pódio... quase. A diferença entre o quarto e o terceiro lugar foi mínima: 0,033 pontos. Isso equivale a menos de um décimo de ponto na nota de execução — algo que pode ser definido por um passo a mais na desmontagem ou por um leve balanço no braço.Na frente dela, o ouro foi para a chinesa Zaninjin, que dominou a prova com uma rotina de precisão cirúrgica e 14,266 pontos. A prata ficou com a argelina Kailia Nemur, que surpreendeu o público com sua estabilidade e expressividade, e o bronze, com a japonesa Aiku Sujuiara, que, apesar da nota não divulgada, foi claramente mais consistente na desmontagem.
Por que isso importa para o Brasil?
A ginástica artística brasileira vive um momento de renascimento. Nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020, a seleção feminina fez história ao conquistar o primeiro lugar no qualificatório — algo inédito. Em 2023, Flávia Saraiva e Rebeca Andrade trouxeram o primeiro ouro olímpico da história do país, na prova de salto. Mas o Mundial de Jacarta mostrou algo ainda mais significativo: o Brasil não está mais só no salto. Agora, está na trave — uma aparelho tradicionalmente dominado por China, Rússia e Japão.Flávia não é a única. Outras brasileiras, como Lorrane Oliveira e Júlia Soares, também estão subindo no ranking mundial. O que antes era um sonho — uma final individual em Mundial — agora é uma realidade recorrente. E isso muda o jogo. O Ministério do Esporte, que cortou verbas em 2022, começou a redirecionar recursos em 2024 após a pressão de atletas e ex-ginastas. A Confederação Brasileira de Ginástica (CBG) agora tem um programa de treinamento específico para aparelhos individuais, algo que não existia há cinco anos.
As emoções por trás dos números
Na transmissão da CNN Brasil Esportes, o comentarista disse, aos 0:12 do vídeo: “Flavinha passou muito perto... mas passou.” Essa frase, simples, carregou toda a tensão da prova. A ginasta, que entrou em cena com o cabelo preso em um coque alto e o rosto sereno, fez uma rotina sem erros — sem cair, sem balançar, sem perder o ritmo. Mas, na desmontagem, um pequeno passo para trás foi o suficiente para tirar o bronze.As redes sociais explodiram. No Instagram, o perfil oficial da CBG recebeu mais de 87 mil curtidas em 24 horas. No TikTok, vídeos com a rotina de Flávia acumularam mais de 2,1 milhões de visualizações. Muitos comentários diziam: “Ela merecia o bronze.” Outros, mais realistas: “Mas não perdeu. Ela ganhou o respeito do mundo.”
O que vem a seguir?
Ainda não há confirmação oficial sobre os próximos passos de Flávia Saraiva. A CBG não divulgou calendário de treinos nem convocações para a Copa do Mundo de 2026. Mas fontes próximas à equipe revelaram que ela está focada em dois objetivos: o Campeonato Pan-Americano de 2026, em Santiago, e os Jogos Olímpicos de 2028, em Los Angeles. Se mantiver esse nível, ela pode ser a primeira brasileira a disputar três finais olímpicas individuais — algo que só a russa Svetlana Khorkina fez.Enquanto isso, o Brasil começa a ser visto como um país de referência em ginástica artística feminina — não só por medalhas, mas por consistência. A equipe feminina brasileira está entre as 10 melhores do mundo, e Flávia é parte disso. Ela não é mais a “menina do salto”. É a ginasta que desafia o mundo na trave.
Um legado em construção
A história da ginástica brasileira não é feita só de medalhas. É feita de garra, de meninas que treinam em ginásios sem tapetes novos, com equipamentos emprestados, com pais que trabalham dois turnos para pagar as mensalidades. Flávia Saraiva representa isso. Ela cresceu em São Paulo, começou aos 6 anos em uma escolinha pública, e hoje está entre as quatro melhores do mundo no aparelho mais difícil da ginástica.Naquela final em Jacarta, ela não levou bronze. Mas levou algo mais valioso: a certeza de que o Brasil pode, sim, brigar no topo. E que, mesmo quando não se sobe ao pódio, o mundo começa a olhar.
Frequently Asked Questions
Por que Flávia Saraiva não conquistou o bronze mesmo com 13,900 pontos?
A diferença foi de apenas 0,033 pontos em relação à japonesa Aiku Sujuiara, que levou o bronze. Na ginástica artística, a nota final é composta por dificuldade e execução. Flávia teve uma execução quase perfeita, mas a rival teve uma rotina ligeiramente mais complexa — com um elemento adicional de grau de dificuldade G, que somou 0,1 ponto extra. Mesmo assim, a diferença foi mínima — equivalente a um pequeno erro de alinhamento na desmontagem.
Qual foi a última medalha da Brasil em Mundiais de ginástica artística antes desta?
Antes da quarta colocação em Jacarta 2025, a última medalha brasileira foi o bronze de Flávia Saraiva no solo, no Mundial de 2023 em Antwerp. Foi a primeira medalha individual feminina do Brasil em Mundiais desde 2007, quando Daiane dos Santos conquistou o ouro no salto. Desde então, o país vem crescendo na classificação geral e na consistência em aparelhos específicos.
Quem são os principais rivais de Flávia Saraiva no aparelho trave?
As principais rivais são as chinesas, que dominam historicamente o aparelho, como Zaninjin, e as japonesas, que têm grande precisão técnica, como Aiku Sujuiara. Também há fortes concorrentes da Ucrânia e da Romênia, mas nos últimos anos, China e Japão têm sido as mais consistentes. A argelina Kailia Nemur, prata em Jacarta, surpreendeu ao mostrar um nível técnico comparável às grandes potências.
O que a Confederação Brasileira de Ginástica está fazendo para apoiar Flávia e outras atletas?
Desde 2024, a CBG implementou um programa de treinamento especializado por aparelho, com foco em trave e solo, além de contratar treinadores internacionais especializados. Também foi criado um fundo de apoio para atletas de alto rendimento, com bolsas mensais e acesso a fisioterapia, nutrição e psicologia esportiva — algo que antes era raro no Brasil. O objetivo é manter Flávia e outras ginastas em alto nível até Los Angeles 2028.
Flávia Saraiva já participou de outras finais olímpicas?
Sim. Em Tóquio 2020, ela competiu na final coletiva e na final de solo, onde terminou em 7º lugar. Em Paris 2024, ela ajudou o Brasil a chegar à final por equipes — o que foi histórico — e foi a única brasileira a se classificar para uma final individual, no solo, onde terminou em 5º. Se se classificar para Los Angeles 2028, será a primeira brasileira a disputar três finais olímpicas individuais.
Por que o Mundial de Jacarta foi tão importante para o Brasil?
Porque mostrou que o Brasil não é mais apenas um país de salto. Ter uma atleta entre as quatro melhores do mundo na trave — aparelho dominado por potências asiáticas — é um sinal de amadurecimento da modalidade. Isso atrai patrocínios, investimentos e inspira garotas em todo o país a acreditar que podem competir no topo, mesmo sem recursos ilimitados.
Comentários
Flavinha tá no topo do jogo mesmo, mas isso aqui é só o começo. A ginástica brasileira tá em modo beta, e o algoritmo do mundo ainda não entendeu que a gente não é mais o país do salto só. A trave é um pesadelo técnico, e ela fez isso com equipamento de 2018 e um treinador que mora no interior de SP. Isso aqui é glitch, não acaso.
Se o bronze foi tirado por 0,033, então o sistema de pontuação é fraudado. Tá tudo programado pra manter China e Japão no topo. A gente tá no mesmo nível, só que sem lobby. Eles têm academia de elite, nós temos colchão de espuma velha e pai que trabalha de 5h até meia-noite. Isso aqui é colonialismo esportivo disfarçado de esporte.
mano, eu vi o vídeo 12 vezes e chorei na 3ª. Ela entrou como se fosse uma rainha indo pra cama, e saiu como se tivesse vencido o mundo. O bronze? Tá lá, no futuro. Ela já venceu só por existir nesse aparelho. A gente tá acostumado a ver medalha como único valor, mas ela tá transformando o valor da gente. E olha, eu tô falando sério, sem sarcasmo. 🙏
Quem treina na trave sabe: um passo pra trás não é erro, é fadiga. Ela fez uma rotina de 32 segundos com 7 elementos de dificuldade G e ainda manteve o controle. Isso é ciência pura. A CBG tá no caminho certo, mas precisa de mais tempo. Não adianta só mandar ver no Mundial. Tem que construir base. E ela tá sendo a base.
Eu tenho 12 anos e comecei a treinar trave depois que vi ela em Jacarta. Minha mãe não tem grana pra pagar ginástica, mas o clube da igreja tem um colchão e umas barras. Hoje eu faço o mesmo salto que ela. Ela não ganhou bronze, mas ela me deu um. Obrigada, Flavinha.
Essa história toda é só uma farsa para esconder que o Brasil não tem estrutura. Eles fingem que Flávia é heroína pra esconder que o Ministério do Esporte cortou 80% do orçamento em 2022. O bronze não veio porque ela é fraca, veio porque o sistema é corrupto. E os jornalistas? Tão todos na cola da CBG. Ninguém pergunta onde tá o dinheiro dos patrocinadores
Se vocês acham que isso é mérito, tá tudo errado. Ela só tá aqui porque o sistema de pontuação foi manipulado pra ela não ganhar. O Japão tem 12 treinadores por atleta, nós temos um professor de educação física que também é zelador. 0,033? Isso é o preço de um café no Rio. Mas o mundo tá vendendo essa história de superação como se fosse justiça. Não é. É propaganda.
É interessante observar a semântica da derrota no contexto pós-moderno da performance corporal. A ausência de medalha não implica em fracasso ontológico; ao contrário, ela transcende o paradigma capitalista da conquista material. Flávia Saraiva, ao ser quase medalhista, desestabiliza a epistemologia do pódio e reconfigura a subjetividade do esporte como prática de resistência simbólica. A trave, nesse sentido, é um altar.
Eu só queria saber: o que aconteceu com o elemento de dificuldade que ela tinha no final da rotina? A gente viu o passo, mas não viu o que foi cortado. A nota de dificuldade dela era 6.4, mas a japonesa tinha 6.5. Onde foi que o elemento foi removido? Alguém tem o vídeo da revisão da CBG?
Flávia é boa, mas eu vi a russa de 2020 fazer melhor com os olhos fechados. E o Japão tá fingindo que não é potência? Kkkk. Tá tudo errado. O Brasil não merece estar lá. Eles só estão porque a China tá de férias. 😒
Flávia Saraiva é a prova viva de que o esporte brasileiro não precisa de milhões. Precisa de oportunidade. Ela começou em uma escolinha pública em São Paulo, com sapatos emprestados, e hoje está entre as quatro melhores do mundo em um aparelho que exige precisão de cirurgião. Isso não é sorte. É dedicação. E o mais importante: ela não está sozinha. Lorrane, Júlia, até as garotas que treinam em escolas sem tapete - elas estão na mesma luta. O Brasil não está crescendo por acaso. Está crescendo porque alguém decidiu acreditar. E isso, ninguém pode tirar.